Árvore nua
Meus galhos estão secos e quebradiços.
A terra que me nutre já não é fértil.
Restos de paredes antigas se misturam ao sal.
Cal em mim.
Nem palimpsesto nem flor colorem os dias.
A beleza está nessa contínua insistência em existir
Transitando no espaço em bifurcações sem fim
Enraizada no solo de minha história.
Que força irá revolver a terra insossa,
Renovar sua potência de vida
E fazer brotar o verde que me reveste de encanto?
A nudez de meus galhos diz coisas que os olhos não querem ouvir
Sussurra histórias de deserto e solidão,
minha natureza e condição.
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3 comentários:
Muito bonita a forma como escreve!
árvore nua, Lindo, triste, persistente...
Após cada intempérie, a árvore nua se cobre de folhas, floresce na primavera e dá frutos sem conta, pois a seiva que corre no mais profundo de seu interior provém de suas raízes, que buscam no deserto O ALIMENTO E A FORÇA que a sustentam. A árvore se despoja, para se renovar.
Obrigada por sua poesia, por compartilhar suas riquezas.
É um belo grito de socorro.
Procure no mais recôndito de sua história, no interior mais profundo, e lá encontrará Aquele que lhe dará a força que revolverá a terra insossa e renovará a Vida.
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