Domingo, Julho 18, 2010

Árvore nua



Foto de Amarildo Oliveira de Souza






Árvore nua





Meus galhos estão secos e quebradiços.


A terra que me nutre já não é fértil.


Restos de paredes antigas se misturam ao sal.


Cal em mim.


Nem palimpsesto nem flor colorem os dias.


A beleza está nessa contínua insistência em existir


Transitando no espaço em bifurcações sem fim


Enraizada no solo de minha história.


Que força irá revolver a terra insossa,


Renovar sua potência de vida


E fazer brotar o verde que me reveste de encanto?


A nudez de meus galhos diz coisas que os olhos não querem ouvir


Sussurra histórias de deserto e solidão,


minha natureza e condição.

.

3 comentários:

Bê.Lopez disse...

Muito bonita a forma como escreve!
árvore nua, Lindo, triste, persistente...

Anônimo disse...

Após cada intempérie, a árvore nua se cobre de folhas, floresce na primavera e dá frutos sem conta, pois a seiva que corre no mais profundo de seu interior provém de suas raízes, que buscam no deserto O ALIMENTO E A FORÇA que a sustentam. A árvore se despoja, para se renovar.

Obrigada por sua poesia, por compartilhar suas riquezas.

Anônimo disse...

É um belo grito de socorro.
Procure no mais recôndito de sua história, no interior mais profundo, e lá encontrará Aquele que lhe dará a força que revolverá a terra insossa e renovará a Vida.