Meus pés doíam do chinelo cortando a carne.
Depois usava band-aid e passava.
Toca o celular: Putz! Fui até lá e não deixei a encomenda...
Toca voltar. O china cortando cada vez mais.
Ofereceu carona pro metrô.
Não, obrigada. Gosto de caminhar.
Insistiu. Insisti. Fui.
Os corredores do subterrâneo estavam invadidos por um piano que dançava lindamente nos meus ouvidos.
Como um Ulisses desamarrado mergulhei até lá.
Um jovem compositor.
Eu tinha pressa, o esquecimento roubara meu tempo.
Mas fiquei ali. Com ele.
Não durou a distância de duas composições. Ele se ergueu e pegou seus pertences.
Mas, já?
Estou atrasado. Vou tocar nos fundos. Só parei porque não resisti ao piano.
Eu também não resisti.
Vem comigo?
Vou. Adoro ver passar o som.
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