quarta-feira, janeiro 23, 2013

De quando a saudade soluçou em meu leito



Desde o momento do raiar do sol
Quando tuas mãos viraram asas
E já não podias tocar a minha pele
Quando meu amor virou pedra
Golpeando meu seio com a dor da noite escura
Meu pensamento se vestiu de esquecimento
Para não sofrer os golpes da recordação
Desejou que desaparecesses
Para não mais os sinos do entardecer
Bradarem a ti em meu ventre concebido.

E quando tua voz penetrou em minha alma
Tocando cada resto de esperança decantado
E teu sorriso escorreu pelos meus olhos
Em rios de deleite e torpor da espera
Meus cabelos se emaranharam,
Cada artéria percutiu ondas de afogar e
Uma lua se guardou nos meus braços
Sonhando com tua vinda em prata e tempestade.

Mas, quando dedicaste a mim o mais belo dos poemas,
Aquele que seria o mais sublime de todos os tons,
A música das musicas, momento entre os momentos,
E meus ouvidos não puderam registrar
Apenas lágrimas correram nas minhas veias
Turvando a bruma que ali se deixou ficar
Para ouvir as minhas preces.
Nua e sem esconderijo
Trago meu soluço e meu desejo transbordantes
Para o desterro do teu amor.



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