domingo, dezembro 14, 2008

Traições.



(Foto: João Matos)


Traições.


Brincar,
quando as trevas iluminam o caminho.
Poupar,
quando o momento exige investimento.
Ficar,
quando o que está estagnado pede movimento.
Ceder,
quando se trata de algo imprescindível.
Duvidar,
quando tudo depende da confiança mútua.
Acelerar,
quando o processo de mudança caminha a passos lentos.
Aparência,
quando a dor não mostra sua face.
Dormir,
quando a presença se torna insuportável.
Comer,
quando a angústia consome todo o seu ser.
Fumar,
quando não resta saída, senão entorpecer.
Sorrir,
quando é honesto chorar.
Enfeitar-se,
quando só se pede um olhar.
Fazer planos,
quando os sonhos permanecem adormecidos.
Produzir,
quando se esquece o sentido da luta.
Agüentar,
quando a alegria e a felicidade já não são almejadas.
Suspirar,
quando é necessário fôlego para terminar a jornada.
Cobrar,
quando o outro não tem como quitar.
Acusar,
quando tudo o que se deseja é o entendimento.
Fazer amor,
quando o toque nos confirma a perda do encantamento.Controlar,
quando é necessário ter liberdade para crescer.
Calar,
quando o que se tem a dizer é que cria a diferença que faz a diferença.
Deprimir,
quando é de sua responsabilidade.
Desistir,
quando não se tentaram todos os recursos.
Festejar,
quando os olhos já não podem se encontrar.
Conter-se,
quando o sangue ferve.
Recolher-se,
quando a solicitação aumenta.
Arrumar,
quando a assepsia esteriliza.
Recriminar,
quando a aceitação é o solo em que se pisa.
Continuar,
quando já não se tem o que dizer.
Traições que se cometem em nome de não trair.