quarta-feira, agosto 10, 2011

Como botão de rosa

Como botão de rosa


Minha realidade é sólida como uma ilusão,
já não confio em meus passos.
Eu deveria estar atenta ao que não vejo,
mas apenas tenho nas mãos o que percebo.
Preciso ter pés curiosos a me levar para onde jamais estive,
e ouvidos surdos, para que as palavras não me turvem a visão.
Porque será que acredito tanto nas intensões
e tão pouco nos gestos?
Sobreviver faz de mim um ser embrutecido
e já não sinto o sabor da brisa em minha pele.
Afeita a ventanias e tempestades
dificilmente choro quando o botão de rosa cai.
Hoje eu despenquei no abismo
e, girando, senti as pás do moinho.
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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Rio de duas mãos


Foto colhida no blog
Rio de duas mãos




Pela janela vejo um rio de duas mãos


Uma que corre para o leste


Anunciando a luz do que há por vir,


Outra que desliza para oeste


Perscrutando a noite que sempre renasce.




Duas mãos a me levar.




As naus que ali adormecem


sonham com mares ainda virgens


e recordam as tempestades defloradas.


Sem pressa de atingir seu destino


Comemoram o descanso merecido.




Duas mãos a me levar.




Águas plácidas refletem o inverno


de galhos desfolhados em sinuosas sombras


O vazio faz nascer a imagem da primavera


Prometendo o verde e o perfume


que o frio levou para longe de mim.




Duas mãos a me levar.




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domingo, janeiro 23, 2011

Inteiro ao meio



Inteiro ao meio

Inteiro ele estava ao meio
Meio inteiro, meio ao meio

Inteirava a metade que faltava
Sendo meio, sentia-se inteiro

Meio só, meio acompanhado
Inteiramente ele mesmo

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