quarta-feira, novembro 13, 2013

Torso

Meus músculos
Contraem a dor do não vivido
Como uma doença

Pedem repouso
Trégua
Água

Lançam sobre minha pele
O sal com que alimentarei
Meus olhos

Quase em tetania
Deprimem a alma
Torturada por dentro

Inquieta
Agito todo meu corpo
Em busca de esquecimento

Corro, coro
Um vermelho quente e maduro
De nudez mordaz

Meu dorso se torce todo
Empunhando uma navalha
Contra si mesmo

Exausta,
Sigo os sinais dos tempos
Anunciando seu fim


quarta-feira, novembro 06, 2013

Titubeio

Do outro lado
Eram sombras
E a dor do mundo
Encolhida no corpo franzino
Do menino ainda

Do lado de cá
Um deserto
Além do horizonte cobria
Escaldando
A pele maltratada

Em gestos de candura
Cada flor 
No seu tempo brotava
Cada sonoridade
Sua dor decantava

Sem me esconder
Ou me mostrar
Eu caminhava só
Sentidos os olhos 
Perplexo o coração 

Lá e cá
Uma madrugada
Enebriada
Libertou os sonhos
Afrouxou os cintos
Brincou com a esperança 

Cá e lá
O sol da manhã
Cegou o desejo
Encabulou as mãos
E, vacilantes,
Aguardam a lua nova

...

...