quarta-feira, janeiro 23, 2013

De quando a saudade soluçou em meu leito



Desde o momento do raiar do sol
Quando tuas mãos viraram asas
E já não podias tocar a minha pele
Quando meu amor virou pedra
Golpeando meu seio com a dor da noite escura
Meu pensamento se vestiu de esquecimento
Para não sofrer os golpes da recordação
Desejou que desaparecesses
Para não mais os sinos do entardecer
Bradarem a ti em meu ventre concebido.

E quando tua voz penetrou em minha alma
Tocando cada resto de esperança decantado
E teu sorriso escorreu pelos meus olhos
Em rios de deleite e torpor da espera
Meus cabelos se emaranharam,
Cada artéria percutiu ondas de afogar e
Uma lua se guardou nos meus braços
Sonhando com tua vinda em prata e tempestade.

Mas, quando dedicaste a mim o mais belo dos poemas,
Aquele que seria o mais sublime de todos os tons,
A música das musicas, momento entre os momentos,
E meus ouvidos não puderam registrar
Apenas lágrimas correram nas minhas veias
Turvando a bruma que ali se deixou ficar
Para ouvir as minhas preces.
Nua e sem esconderijo
Trago meu soluço e meu desejo transbordantes
Para o desterro do teu amor.



...


sábado, janeiro 12, 2013

Delicadeza

Quanta bravura empenhamos em cada gesto,
quanto suor,
Quanta lágrima.
Mas nos tornamos cegos ao que é pequeno e belo.
Poder bradar o singelo como sublime,
Isso é para poucos heróis.

terça-feira, janeiro 08, 2013

Sacramento

O dia me atravessou
fazendo arder meu corpo
Em recordação e desejo.
A noite penetrou em meu sonho
- razão do meu destino
Convidando a dançar.
Recobrei a insanidade
Aos poucos
Afundando minhas mãos
no barro onde esculpiria tua presença.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Sem ti

Fugi de ti
Quando não restou espaço para o meu amor.
Apenas fragmentos de segundos envolviam meu corpo.
Te lembras?
Afugentei teu olhar e corri de tuas mãos que,
doce e suavemente,
acorrentavam minha alma.
Há uma vaga lembrança da tua urgência,
Sentido de meu desespero!
Como despertar do sonho de te haver possuído
E, de ti, avistar apenas o dorso enquanto partes,
Partida em pedaços.
Resta este sabor de aurora,
O peso das horas mortas
E o vazio de existir.