terça-feira, agosto 13, 2013

Efigênia


Guarde minhas cinzas
para uma tarde ensolarada
de maio.

Espere o vento,
a brisa
e deixe voar.

Ande devagar
saboreando o desenho branco
no piso vermelho.

Admire as flores no umbral,
o delicado desenho
feito do duro metal.

Observe a luz refletida nas nuvens
tocando arranha-céus,
conversando com Deus.

Ouça seu coração batendo irresoluto
na saudade de tantas histórias que,
como águas turvas,
correram lá em baixo e sobre o viaduto.


.

Na curva



Um bom começo
...
é um bom começo

Correr para onde?
O que buscar? 
Irei alcançar?

Sim. Quem está na curva 
do tempo
vivido e por viver
almeja encontrar

"Será que consigo?"
Sim. Encontrar consigo.

Saber que existe um fim
nos dá asas

Voe

.

Adeus, menino



Estradas de céu levam mais longe
Como voar?
Juntar a bagagem necessária
Deixar para trás
Olhar em riste
Dois mundos
Duas vidas
Hoje e depois

Partir

Quem fica
Quem vai

Uma floresta adensa em mim
Selvagem e incauta
Pulso uma dor prateada
Me afogo
Cega, já não sei:
Prá quê tudo isso?

Tudo é tão ligeiro
Eu não

.

Teu olhar



Tu passas
Nem me olhas
Como se um olhar nada fosse

Preferes ser cruel a ser doce?

Caminhas certeiro
como se nada levasses
no bolso ou nas mãos

Roubas assim
de mim
o momento sublime do encontro

Mesmo que sejas,
apenas naquele instante,
olhos nos olhos,
meu para sempre

.