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Jardins

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Foto de Afonso de Souza Figueiredo Jardins Desci a Bela Cintra já altas horas, segura como se estivesse em Sherbrooke. No coração de São Paulo, ainda existe cordialidade. Pode-se andar a pé na calada da noite. Na Moacir, seis moços conversavam ao pé da soleira. Pela alameda, uma senhora de seus sessenta, alimentada a pão-de-ló, seguia seu cão em roupas à vontade. . Os poucos carros ainda se estranhavam nos cruzamentos e garagens. Francamente, segui o caminho em direção ao Balcão. Sinuosidades massageavam meus pés naquele fim de domingo em que apenas a iluminação do Piero atrapalhava. Em noite de lua cheia, gosto de ter só luz de prata. Um burburinho de mesas descendo a ladeira à luz de velas em altos brados, típico daquela juventude entusiasmada, revelou que os anos se passaram e meus tons já não são os mesmos. Admiro na beleza das cores das flores os seus frutos. Enfim, o abraço esperado depois de anos de despedida. Como é bom viver numa cidade onde podemos ressurgir das cinzas! Dá ...

Hoje

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Hoje O que acontecerá hoje jamais será lembrado mas terei deixado um registro de minha passagem por este dia. Meus filhos poderão guardar essa lembrança e saber que pensei neles com saudade e amor. Abrirei minha casa e receberei amigos queridos. Vamos comer, beber, fotografar e recordar. Desde cedo preparo a casa para sua vinda. O que se passa em meus pensamentos e em meu coração a cada gesto . é efêmero e desvanece rapidamente, como meus suspiros de aflição. Minha vida é assim, cheia de aflições e sorrisos, silêncios e palavras, recolhimento e gesto. Alguns permanecem invisíveis e são incontáveis. Outros saltam aos olhos e serão revelados nas fotos do álbum que contará minha história. . .

Da mentira

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Foto de José Vaz de Meneses Da mentira Meias mentiras têm a intenção de encobrir. Meias verdades é tudo o que temos quando buscamos desvelar. .

Bailar

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Foto de Luís Lobo Henriques Bailar Certa vez pus os pés no mundo como quem banha os pés nas águas. Levava comigo apenas o necessário e residia nos momentos. . .

Acorda

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Foto de Manuela Vaz Acorda Eu te ofereço a luz desse dia para iluminar o escuro do caminho. Acordes tristes trazem teu despertar. Acorda, acorda acorda a cor. Mais uma manhã para celebrar o vazio o desconhecido, o frescor e o assombro. . . A nave vai. . Aonde nos conduzirá . é de timoneiro, . nevoeiro . e tempestade. . .

Traições.

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(Foto: João Matos) Traições. Brincar, quando as trevas iluminam o caminho. Poupar, quando o momento exige investimento. Ficar, quando o que está estagnado pede movimento. Ceder, quando se trata de algo imprescindível. Duvidar, quando tudo depende da confiança mútua. Acelerar, quando o processo de mudança caminha a passos lentos. Aparência, quando a dor não mostra sua face. Dormir, quando a presença se torna insuportável. Comer, quando a angústia consome todo o seu ser. Fumar, quando não resta saída, senão entorpecer. Sorrir, quando é honesto chorar. Enfeitar-se, quando só se pede um olhar. Fazer planos, quando os sonhos permanecem adormecidos. Produzir, quando se esquece o sentido da luta. Agüentar, quando a alegria e a felicidade já não são almejadas. Suspirar, quando é necessário fôlego para terminar a jornada. Cobrar, quando o outro não tem como quitar. Acusar, quando tudo o que se deseja é o entendimento. Fazer amor, quando o toque nos confirma a perda do encantamento.Controlar...

Labirinto

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Foto de Manuela Vaz Labirinto Quando a vida pulsa além do que alcanço não encontro palavras. Perdida em meus próprios túneis penetro no labirinto ávida por encontrar aquele que irá me devorar. . .